Nesta fotografia, o Diário de Lisboa denuncia o cariz político do 2º Plenário Nacional de Agricultores, que decorreu em Rio Maior no dia 14 Dezembro de 1975.
memória fotográfica - Dezembro 1975
Nesta fotografia, o Diário de Lisboa denuncia o cariz político do 2º Plenário Nacional de Agricultores, que decorreu em Rio Maior no dia 14 Dezembro de 1975.
memória fotográfica - setembro 1974
Entre elas, o assalto, por parte de militantes do Pcp e das extrema-esquerdas, das sedes da chamada "reacção".
Nesta fotografia, os civis assaltam, na Rua Luz Soriano, a distribuidora dos jornais Tribuna Popular (órgão do Movimento Federalista Português) e Bandarra (de Miguel Freitas da Costa e Manuel Maria Múrias), queimando os exemplares deste último.

Variazione sul tema
Encontrei num alfarrabista a edição em português da obra História do Movimento Fascista, do historiador italiano Gioacchino Volpe (1941).Reproduzo de seguida um breve trecho do livro (p.195) que me chamou a atenção devido à situação que se vive nestes dias em Portugal e à actuação dos decisores directamente envolvidos nela:
Memória Fotográfica - Junho 1974
Estando neste momento a estudar os partidos da direita radical na transição democrática, fico muito grato a todos os que me possam fornecer contactos, informações, materiais de arquivo, entrevistas, não disponíveis na net, sobra este periodo histórico.

Memória Fotográfica - Maio 1974
No livro Império, Nação, Revolução tratei brevemente da história das Brigadas Nacional-Revolucionárias (p.266), constituídas por estudantes da Cidadela de Coimbra e que entraram em acção logo após o 25 de Abril de 1974, com pinturas nas paredes que nada tinham de saudosista, mas muito do ADN daqueles jovens radicais.
Há pouco tempo encontrei numa feira, com minha grande satisfação, um livrinho de fotografias da revolução que, suponho com um certo desconhecimento por parte do autor, reproduzia duas imagens relacionadas com a actividade das BNR e que muito bem se encaixam nesta nova secção do blog.
Como sempre, quem tenha memórias destas BRN e as queira compartilhar é bem-vindo.

Memória fotográfica - Dezembro 1974
Falaram-me, em particular, de uma série de "Fáscios lictórios" que pintaram nas paredes de Lisboa. No momento não dei muita atenção a esta memória, até que não encontrei, nas páginas do Diário de Lisboa de Dezembro de 1974, a prova desta acção que, pelos vistos, mereceu alguma atenção da imprensa na altura.
Aproveito este documento para inaugurar uma nova secção do blog: "Memória fotográfica" e que reunirá fotografias encontradas nas minhas investigações.

Caetano de Melo Beirão [11.05.1947]
No livro Folhas Ultras (p.187) contei o assalto à Associação Académica de Coimbra, de 9 de maio de 1947, protagonizado por nacionalistas radicais do grupo de Mensagem. Encontrei agora o testemunho directo do ataque, apresentado por Caetano de Melo Beirão (foto de 1963) pouco dias depois do episódio, ao seu mestre Alfredo Pimenta. Reproduzo-o de seguida:«Deve saber pelos jornais que começou aqui a agitação comunista. Para neutralizar uma acção deles, fizemos, uns 50 rapazes, um assalto à A. Académica. Nesse assalto, enquanto eu agarrava um indivíduo, um outro, comunista filiado, veio por trás e deu-me uma mocada na nuca. Não me matou por acaso, mas machucou-me um pouco. Furioso com a cobardia, abri a cabeça a um, com o guarda-chuva, que ficou partido. Quis fazer o mesmo ao meu agressor, mas só dei-lhe 3 socos pois agarraram-me. Fui depois fazer um curativo ao hospital e tirar uma radiografia. Felizmente não havia nada. Levei 2 "agrafes", que já me tiraram anteontem, e mais nada. Agora estou bom. Já cicatrizou a ferida; já tirei o penso. Temos, porém, andado em grandes actividades, organizando o contra-ataque à ofensiva comunista.»
Movimento de Integração Nacional
O interessante é que este programa e o seu autor inspiraram muito o nacionalismo revolucionário português do final dos anos Sessenta.
A partir da segunda metade dos anos 80 até hoje, pelo contrário, nenhum militante da nova direita radical portuguesa subscreveria esse programa, principalmente no que toca ao ponto 2. As explicações são muitas, mas o que interessa é a cesura profunda que se deu no pensamento do nacionalismo radical português nos últimos 40 anos.


Memórias do meio Monárquico [04-02-2011]
Mais um interessante testemunho sobre o meio monárquico dos anos 50-60, por parte de um antigo militante de Jovem Europa.Em “Império – Nação – Revolução”, no capítulo As Organizações Menores da Direita Radical nos Anos 60, trata da Real União Portuguesa (RUP) e do Movimento da Juventude Monárquica (MJM). Talvez tenha interesse o que escrevo a seguir.
A Causa Monárquica, como é sabido, foi durante muitos anos uma extensão política da União Nacional, Partido Único, a que sucedeu a Acção Nacional Popular, também Partido Único.
A palavra Causa foi escolhida porque excluía no seu significado os Partidos. Tal como União. Ambas as organizações eram anti-partidárias, integrando o movimento político europeu, e não só europeu, de combate aos Partidos Políticos – ao pluripartidarismo – durante o período de entre Guerras: 1918-1939.
Assim, a Causa Monárquica tendia a incluir todos os Monárquicos e a União Nacional todos os Portugueses. Nem uma nem outra conseguiram o intento. A primeira, embora muitos anos influenciada pelos Integralistas – anti-partidários – teve sempre Liberais, favoráveis à existência de Partidos.
As cisões na Causa Monárquica foram várias, a começar pela de parte dos Fundadores do Integralismo Lusitano, que com ela se incompatibilizaram muitos antes do fim da II República caída em 1974.
Sem pormenorizar o tema das cisões, falarei duma que me parece de grande importância no desmantelamento da União Nacional.
Em 1957, surgiu a ideia de um grupo de Monárquicos fazer parte das listas eleitorais daquele Partido Único, mediante certas condições de independência dos elementos Monárquicos. Iam realizar-se as Eleições Legislativas, que como sempre não seriam eleições livres. Este projecto assemelhava-se ao sucedido nas Eleições de 1969, quando surgiu a Ala Liberal.
Verificaram-se desentendimentos. Os Monárquicos não participaram e surgiu um movimento de oposição ao Regime. Como se sabe, até então os Monárquicos tinham sido apoiantes – na sua esmagadora maioria – do Salazarismo.
O principal dirigente deste movimento foi, sem qualquer espécie de dúvida, Francisco de Sousa Tavares. Embora haja outros que sem legitimidade pretendam que tiveram essa qualidade. Oportunismo e vaidade, como é habitual.
As raízes desta posição de 1957 devem ser procuradas noutros acontecimentos anteriores como o Caso Dadrá e Nagar-Aveli, em 1954. Estes são os nomes de dois enclaves da então Índia Portuguesa que foram ocupados pela força pela União Indiana. A reacção nacionalista do Regime e a de certos Monárquicos foi completamente diferente. Esta realidade abriu conflito grave de natureza ideológica e política entre Regime e Monárquicos. Teve efeitos mediatos importantes no apoio que os Realistas deram às Eleições de 1958 para a Presidência da República, em que Humberto Delgado foi Candidato.
Após os acontecimentos de 1954 e de 1957 começaram a verificar-se movimentos de muito mais Monárquicos no sentido da crítica ao Regime. Mas crítica muito débil, com muitos compromissos.
Tudo isto – e muito mais – determinou uma nova oposição clara à II República nas Eleições legislativas de 1969. Os Monárquicos surgiram com a sua lista própria, na contestação evidente ao Salazar-Caetanismo. Desta lista independente faziam parte várias pessoas: desde os que já contestavam em 1954, aos críticos débeis e comprometidos que acima refiro, como Henrique Barrilaro Ruas.
A RUP e o MJM apesar do seu tom radical foram manifestações efémeras que acabaram por se integrar, formal ou informalmente, na Causa Monárquica ou na secessão verificada nesta. Aqueles grupos actuaram muito naturalmente na década de 60, na qual se verificaram dois acontecimentos importantíssimos de contestação ao Salazar-Caetanismo: 1962, lutas académicas que determinaram a intervenção da polícia de choque na Universidade de Lisboa. O então Reitor, Marcello Caetano, demitiu-se em sinal de protesto. Foi em 24 de Março. 1969, crise académica de Coimbra considerada como decisiva na queda do Regime ditatorial, em Abril-Junho.
O Radicalismo Monárquico durante a II República foi sobretudo levado a efeito pelo grupo denominado vulgarmente de Monárquicos Fascistas, gente da geração universitária dos anos 40. Os seus nomes principais foram Amândio César, António José de Brito, Caetano Beirão filho, Carlos Guerra de Oliveira, Carlos Klut de Andrade, Fernando Guedes e alguns mais. Este grupo era também chamado do “Avis”, nome dum café então existente, localizado na Praça dos Restauradores em Lisboa, junto ao edifício Eden, que frequentavam também elementos dos denominados Serviços Secretos da Legião Portuguesa, de que era principal responsável José Manuel Salgado, e por simpatizantes do clube desportivo Sporting Clube de Portugal. Faziam ainda parte da clientela elementos do Jornal Agora.Para além das publicações afectas a este grupo, que teve como vulto importante Florentino Goulart Nogueira, foi aquele que, em meu entender, fez política radical principalmente. E não a Imprensa Radical de expressão Monárquica. Tenho ainda bem presente os embates de natureza intelectual, dialécticos, com os Monárquicos não Radicais, que eram a esmagadora maioria, ligados à Causa Monárquica ou não.
É muitas vezes referido António José de Brito como o filósofo dos Fascistas Monárquicos, ou Radicais. Penso que não: Brito era demasiadamente dogmático, dogmatismo que lhe vinha muito mais da Política do que da Filosofia. Aliás, personalidade cheia de contradições, bem demonstradas depois de 25 de Abril de 1974 no diálogo, diálogos, que manteve com o Regime nascido naquela data. [Perguntei à minha testemunha um esclarecimento – que ainda não recebi - acerca dessa afirmação, sendo que pelo meu conhecimento e amizade pessoal com o Professor António José de Brito me atreveria a afirmar exactamente o oposto respeito a quase todo o conteúdo dessa afirmação. N.d.R.]
A referida crise de 1957 determinou mediatamente, em momentos diferentes, a defesa do ambiente criado pelas Eleições Presidenciais de 1958.
Dos nomes envolvidos na RUP e no MJM, os principais, que ficaram para os registos Monárquicos, foram Alexandre Bettencourt, António Borges de Carvalho, Augusto Ferreira do Amaral e Luís Coimbra. Todos eles integraram o Partido Popular Monárquico.
Este grupo de jovens foi antecedido por um outro um pouco mais velho: Alberto Moutinho Abranches, Álvaro Ferreira da Silva (Fraião), Fernando Amaro Monteiro e eu próprio.
Podemos considerar os dois grupos de jovens como o primeiro e o segundo, cronologicamente, que assumiram posições oposicionistas enquanto Monárquicos, no quadro da II República.
Os oito nomes indicados, posteriormente, tomaram posições bem diversas, embora mantendo o seu Monarquismo.
Menção Honrosa do Prémio Fundação Mário Soares [17-12-2010]
Aproveitei a ocasião para sublinhar como, apesar de reivindicar a minha identidade 100% italiana, prefira considerar-me, mais que um investigador extrangeiro a trabalhar no extrangeiro sobre a história de um país extrangeiro, um investigador europeu, a trabalhar na Europa, sobre a história de Europa.
Um bocado retorico, talvez, mas sentido.

Manuel Rolão e Carlos Eduardo de Soveral
No boletim da Liga dos Antigos Graduados da Mocidade Portuguesa, Facho (nº16, Série IV, Dezembro 1960), encontrei um interessante artigo, - que reproduzo de seguida - de Carlos Eduardo de Soveral (Foto).O dado interessante é que o artigo é dirigido a Manuel Rolão, personagem cuja história está emvolvida por um certo mistério, como relatei no livro Império Nação Revolução (pp.74-75).
Aproveito a publicação deste artigo do Dr. Soveral para pedir informações - a quem eventualmente as tenha - sobre o tal Manuel Rolão, que teve um certo papel na estrutração das organizações de direita-radical no princípio dos anos 60.
Operação memória 10 de Junho
Entre 1975 e 1980 as direitas portuguesas, com destaque particular para o Movimento Nacionalista, mobilizaram-se para restaurar as celebrações do dia 10 de Junho, num clima tenso de manifestações e confrontos de rua violentos.
Com o intuito de escrever um artigo científico dedicado especificadamente a esta campanha reivindicativa, peço a todos os que participaram naquelas mobilizações ou que tenham delas algum registo, de me contactar enviando os seus testemunhos.
Procuro todo o género de informação acerca dessas mobilizações, nomeadamente:
- Percurso pessoal de aproximação ao meio nacionalista e grau de envolvimento na mobilização do 10 de Junho
- Clima político e social envolvente o movimento nacionalista em geral nos anos 1975-1980 e em particular nas celebrações do 10 de Junho
- Estruturação das organizações nacionalistas envolvidas na mobilização do 10 de Junho
- Considerações pessoais acerca da campanha de mobilização do 10 de Junho
- Sugestões acerca dos elementos importantes a analisar na reconstrução da mobilização do 10 de Junho
Aguardo as vossas memórias.
Riccardo
Menção Honrosa do Prémio Fundação Mário Soares [17-12-2010]
A Conferência no Diabo [07-12-2010]
Um relato da Conferência foi publicado por Duarte Branquinho - a quem agradeço a atenção - na edição de O Diabo de 7 de Dezembro de 2010.Debater as direitas
Decorreu nos passados dias 29 e 30 de Novembro, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, um seminário intitulado “As raízes profundas não gelam? Ideias e percursos das direitas portuguesas” organizado pelo investigador Riccardo Marchi. Este italiano radicado em Portugal é autor de um estudo sério sobre as direitas radicais portuguesas de 1939 a 1974, o que era uma lacuna na nossa historiografia. Marchi decidiu investigar aprofundadamente o assunto e doutorou-se em História no ISCTE com a tese que deu origem a dois livros complementares: “Folhas Ultras. As ideias da direita radical portuguesa (1939-1950)”, publicado pelo ICS, tem por base a primeira parte do seu estudo; “Império, Nação, Revolução. As direitas radicais portuguesas no fim do Estado Novo (1959-1974)”, publicado pela Texto, é a parte central da sua tese.
Razões de um seminário
Numa entrevista ao blogue Dissidente.info, questionado sobre as razões que o levaram a organizar este seminário, Marchi respondeu: “Quis reunir peritos de cada área específica das direitas que permitam desenhar um “fil rouge” desde o miguelismo contra-revolucionário até ao liberalismo dos nossos dias. Como é óbvio, não procuro uma lógica unívoca que conecte coerentemente tudo o que se moveu na direita em Portugal nos últimos 200 anos. Procuro sim identificar quais raízes afundam no terreno das ideias das direitas portuguesas e, a partir desta pluralidade, pretendo desvendar quais frutos produziram, se ainda são fecundas ou se, pelo contrário, secaram de vez. O intuito final dos dois dias será produzir uma colectânea com as contribuições dos oradores e de outros autores”.
Dois dias de trabalhos
Coube ao Rui Ramos a abertura do seminário com a comunicação “As direitas na historiografia portuguesa” e a introdução não podia ter sido melhor. Há muito que este historiador tem denunciado uma oposição que se faz entre a esquerda e direita como se se tratasse do “bem” e do “mal”, perdoando-se os “excessos” das esquerdas e recriminando o mínimo deslize das direitas. Tal reflecte-se no campo historiográfico onde não devia acontecer. Segundo Rui Ramos, há uma cultura instalada que leva a que mesmo historiadores que não seguem necessariamente uma agenda política caiam nessas simplificações. Dos vários exemplos que deu, lembro aqui um: a chamada “ditadura de João Franco” é sempre considerada uma ditadura, por outro lado, o Governo Provisório de 1910, tecnicamente ma ditadura, nunca recebe essa designação e as suas medidas persecutórias são “compreendidas”.
Seguiram-se duas intervenções sobre o miguelismo “A reacção anti-liberal miguelista” de Maria Alexandre Lousada, e “A violência política no miguelismo” de Fátima Sá. Como se pode adivinhar pelos títulos das comunicações, estas centraram-se no “terror miguelista” que recordava, a espaços, as palavras iniciais de Rui Ramos.
Na tarde do primeiro dia falou José Manuel Quintas, sobre o “Integralismo Lusitano para além das etiquetas” e foi bastante interessante ouvir as origens desta experiência política e intelectual portuguesa por tantas vezes (propositadamente) mal tratada. O único defeito da sua comunicação foi a falta de tempo para assistir a tudo o que estava preparado. Seguiu-se a excelente intervenção de Ernesto Castro Leal, intitulada “As direitas revolucionárias na I República”, que se centrou em grupos menos conhecidos como a Acção Realista Portuguesa ou o Centro do Nacionalismo Lusitano, falando com clareza e demonstrando profundo conhecimento.
No segundo dia, duas intervenções a que O Diabo assistiu. Primeiro do cronista Henrique raposo que falou sobre “A Direita liberal no Portugal do Século XXI”, tentando demarcar o liberalismo do puramente económico, ao mesmo tempo que adiantou que várias das suas ideias, tão criticadas, estão a ser propostas pela própria União Europeia a vários estados devido à actual crise. Depois a comunicação de José Pedro Zúquete, “O Império contra-ataca: uma ideia antiga para as direitas do futuro”, que era sem dúvida a que tinha o melhor título de todo o seminário e prometia debate.
Ideias para o futuro
A José Pedro Zúquete, investigador a quem coube o primeiro artigo académico sobre o Partido Nacional Renovador (PNR), há que reconhecer a capacidade de estudo da chamada “extrema-direita”, em todas as suas complexidades, e a coragem de tentar propostas para o futuro, recusando a aposição confortável de observador não-interveniente.
Na sua participação neste seminário lembrou a importância da lusofonia na construção das direitas do futuro. Essa era a “ideia antiga” a que se referia o título da sua comunicação. Criticou o PNR por não a considerar, desejando boa sorte a quem tentar pesquisar o termo “lusofonia” no site deste partido nacionalista. Louvando, por outro lado, o Movimento Internacional Lusófono (MIL), disse que este era a expressão de uma ideia que não devemos desprezar.
A Conferência no Incentivo dos Açores [06-12-2010]

