Noruega III [30-07-2011]

Entrevista ao magazine Notícias Sábado de 30 de Julho de 2011


Noruega II [29-07-2011]

Comentários na TVI24 de 29 de Julho de 2011

  1. Entrevista a portuguesa que recebeu mail de Breivik
  2. Breivik está obcecado com o multiculturalismo

Noruega I [26-07-2011]

Comentários ao Jornal de Notícias de 26 de Julho de 2011

make war with love - 1970

Um antigo militante da Cidadela de Coimbra deu-me, anos atrás, o autocolante “Make War With Love” (Foto) que os militantes nacional-revolucionários costumavam colar nos seus carros nos primeiros anos 70. Na altura achei engraçado o slogan, apesar de não ter dado muita importância ao documento.

Assim, chamou-me a atenção um artigo do Diário de Lisboa de Outubro de 1975 que encontrei há uns dias e que evidencia como aquele slogan não era fruto da fantasia de uns estudantes nacionalistas, mas algo mais interessante. Nunca
tinha ouvido falar da central de contra-informação que gerou o slogan, razão pela qual reproduzo por inteiro o texto dos dois artigos do Diário de Lisboa, alertando para a parcialidade do jornal em 1975, mas deixando assim pistas por quem queira aprofundar ou, tendo já informações, corrigir e explicar.




Lembram-se do “slogan”?

C.D.I.: Make War With Love.

Ten-coronel Ferreira da Cunha era um dos responsáveis.

Fonte: Diário de Lisboa, 28.10.1975, pp.1-2


Sob o título Marcelo Caetano criou uma super-pide? Está «O Século» a publicar uma série de artigos em que se diz que «sob a sigla C.D.I. (Centro de Documentação Internacional) funcionou durante o regime de Marcelo Caetano, e a seu pedido, um organismo encarregado de, a nível nacional, coordenar com vistas à guerra psicológica todos os dados e informações fornecidas pela P.I.D.E./D.G.S., Legião Portuguesa e outras estruturas do fascismo».

O nosso confrade descreve, em seguida, a formação desse Centro e nomeia alguns dos seus responsáveis. Podemos acrescentar, contudo, alguns detalhes à descrição e alguns nomes à lista desses responsáveis. Sobretudo, um, o mais importantes, justamente pelas funções que actualmente exerce: o tenete-coronel José Luís Ferreira da Cunha, secretário de Estado da Informação!

Em princípios de 1970, e sob a designação de Comissão interministerial de acção psicológica (C.I.), que propositadamente nada elucida, foi constituído um grupo destinado a estudar e a propor soluções em função de uma linha de preocupação expressa por sua excelência o presidente do Conselho, em reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional: necessidade de esclarecimento, propaganda e acção psicológica, frisando:

- o prestigio das Forças Armadas, da ordem e das instituições;

- a política de defesa do Ultramar». (De um relatório de PEREIRA DE CARVALHO, directorados Serviços de Informação da ex-PIDE/DGS, ao ministro do Interior).

Por proposta do CLEMENTE ROGEIRO, aprovada por MARCELO CAETANO, em 6 de Março de 1971, a C.I. passou a integrar os seguintes elementos:

Presidente: CLEMENTE ROGEIRO, depois GERALDES CARDOSO, em representação da Presidência do Conselho,

Delegados de: Defesa Nacional: Brig. Sacadura Moreira da Câmara, depois brig. Castro Ascensão;

Ministério do Interior: Parente de Figueiredo, pela L.P.; Pereira de Carvalho, pela PIDE/DGS; Ministério do Ultramar: Fialho Ponce; Ministério dos Negócios Estrangeiros: Bonifácio de Miranda; Ministério da Educação Nacional: Teixeira de Matos, que só assistiu a uma reunião, depois José Manuel de Sousa; Secretaria de Estado da Informação e Turismo: Luís Oliveira e Castro; Ministério das Corporações: Bigote Chorão, depois Joaquim Videira; Acção Nacional Popular: não chegou a indicar delegado;

A funcionar em colaboração com o C.I., estava uma outra Comissão, Comissão Orientadora de Contrapropaganda Radiofónica (C.O.R.), criada em 11 de Setembro de 1967, competindo-lhe o empastelamento das emissões do estrangeiro.

Pela proposta referida em 2, o C.D.I. tornou-se o Órgão técnico da Comissão Interministerial (O.T./C.I.).

O O.T./C.I. era constituído do seguinte modo:

José Manuel de Sousa, director; tem. Cor. José Luís Ferreira da Cunha; cap. Frag. Adriano Coutinho Lanhoso (em 1972 acumulava com o cargo de adjunto militar de Marcelo Caetano) e maj. Augusto Azevedo Batalha; Pereira de Carvalho (director dos serv. Inf., da PIDE/Dgs).

Estes elementos apoiavam-se em toda a estrutura do C.D.I. nomeadamente numa equipa constituída predominantemente por militares do Q.G.

Não vamos agora nomear todas as actividades deste grupo, citando apenas, entre elas, a elaboração dos diferentes tipos de relatórios de informações (RAREP, PERMEI, REPCORP, RELATÓRIOS SITUAÇÃO) com base em elementos provenientes da P.I.D.E./D.G.S., da L.P. e dos meios de Comunicação Social nacionais e estrangeiros.

Podemos acrescentar que num dos projectos saídos da pena do O.T./C.I., o Projecto da directiva nacional nº01/72 – Guerra psicológica – ano de 1972, aprovado em 15 de Fevereiro desse ano por Marcelo Caetano, se pode ler: «em guerra psicológica só interessam acções maciças com planeamento convergente, a longo prazo, e execução permanente, contínua e persistente. Assim, seria lógico que as acções centralizadas do C.I. pudessem dispor de num mínimo de cento e cinquenta a duzentos mil contos…» Só! Para guerra psicológica. A guerra do tem. Cor. Ferreira da Cunha, actualmente secretário de Estado da Informação do VI Governo provisório. As voltas que o mundo dá! Ou a coerência oculta de certas nomeações…

Passamos a citar certas passagens do artigo do jornal «O Século».

«Tinha nesta altura o C.D.I. por missão o esclarecimento, a propaganda e a acção psicológica com dois objectivos e duas ideias-força fundamentais: prestigio das forças armadas, da Ordem e das instituições, politicas de defesa do Ultramar. Em1971 a Propaganda Psicológica do regime fascista estabelecia que a propaganda se deveria desenvolver através dos meios de difusão legais (TV, rádio, jornais, cinema e outros), e clandestinos como C.D.I. e a D.G.S.

«Os objectivos claros desta política tinham por fim apoiar o Governo fascista na sua intenção de conduzir a defesa psicológica da sociedade portuguesa, exercendo um esforço coordenado com todos os meios e organismos disponíveis, no sentido de garantir os grandes objectivos nacionais, facilitando ao Governo a sua realização.

«A contra-propaganda devia ter uma finalidade: contrabater o pacifismo, defendendo o «ideal» de «luta pela paz», ou seja, a guerra do Ultramar, seria uma guerra «imposta» do exterior e as forças portuguesas «agredidas» lutavam não por que quisessem a guerra, mas para instaurar a paz».

A título de exemplo, o nosso camarada «O Século» diz-nos que «a contrapropaganda fascista se atacava ao «slogan» «Make love not War» por intermédio do «slogan» «Make war with love»…»

A SUPER-P.I.D.E.

«O trabalho do Centro de Documentação Internacional era o fruto de um laborioso e metódico trabalho de informação e coordenação de outros relatórios. Neste sentido e segundo a mesma fonte «o C.D.I. era uma supe4r-P.I.D.E. pela sua capacidade operativa, pela sua visão conjuntural sobre a situação da sociedade portuguesa».

«Para cúmulos dos cúmulos o tenente da Guarda Nacional Republicana José Alberto Gouveia de Barros ex-responsavel do C.D.I. foi encarregado após o 25 de Abril de extinção do mesmo organismo…Como é lógico este senhor acabou por participar no golpe do 11 de Março tendo sido um dos responsáveis pela segurança de Spínola.

Também o antigo ministro da Educação, Veiga Simão, se encontrou intimamente ligado à formação do Centro de Documentação Internacional. Não é de esquecer que Veiga Simão foi nomeado – após o 25 de Abril – embaixador de Portugal na ONU. Esta nomeação tinha sido feita por Spínola e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, desta altura, Mário Soares.

Refere ainda o «Século», o caso de uma mensagem do general Costa Gomes dirigida às Forças Armadas em que as instruções pormenorizadas aos órgãos de Informações emitidas pelo Ministério da Comunicação Social, possuíam um carácter notoriamente manipulador e digno do tipo «lavagem ao cérebro».

O C.D.I. teve durante o fascismo uma ajuda económica extremamente consequente. As verbas encaminhadas para o C.D.I. provinham do Ministério da Educação, do Plano do Fomento e de diversos Ministérios. Em 1972 e em 1973 as verbas fornecidas unicamente pela Junta de Acção Social andava à volta de 1.000 contos por ano. Segundo as averiguações realizadas após o 25 de Abril, tudo leva a crer que as verbas previstas por Marcelo Caetano para o funcionamento da C.D.I. (150 a 200 mil contos) tivessem ultrapassado o previsto.


C.D.I e P.I.D.E. faziam intercâmbio no sector no ensino

Fonte: Diário de Lisboa, 04.11.1975

A somar a uma rede de informadores que o C.D.I. já possuía no I.S.C.E.F. (Instituto Superior das Ciências Económicas e Financeiras), no Liceu Padre António Vieira, no Instituto Superior Técnico e na Faculdade de Medicina, Costa André, o secretário de Estado da Instrução e Cultura, em 1970 ou 1971, pediu á P.I.D.E./D.G.S. uma relação dos estudantes das três Universidades «potencialmente perigosas». Pedido satisfeito, os dados transitaram para o C.D.I.

O nosso colega «O Século» revela ainda que os vigilantes («gorilas») das faculdades passaram a colaborar na detecção de actividades estudantis.

Todas as informações sobre a Universidade eram bem pagas pelo M.E.N. a título de exemplo: José Manuel de Sousa director do C.D.I. faria bom dinheiro com os panfletos dos estudantes progressistas da Universidade, comprando-os a 10 escudos e recebendo por eles o dobro.

Informa ainda «O Século» da existência de um Secretariado de Informação e Propaganda Universitária (S.I.P.U.), orientado por José Luís Pechirra, subsidiado directamente pelo gabinete de Hermano Saraiva. Os Serviços Sociais da Universidade eram a cobertura do S.I.P.U.; a residência Monti Oliveti (destacadamente) um dos centros coordenadores das operações de recolha de propaganda antifascista a circular nos meios estudantis. Depois era dirigida para José Manuel de Sousa, director do C.D.I. O S.I.P.U. chegou mesmo a editar o boletim «Vértice» (cerca de meia dúzia de exemplares vieram a lume).

Continuando a socorrer-nos das informações de «O Século»: por volta do ano de 1969, ao acto da matrícula foi acrescentado o preenchimento de uma ficha destinada ao C.D.I., que servia para manter actualizado o «curriculum político» de cada estudante. Este ficheiro deve ter reunido ao todo cerca de 70.000 fichas de estudantes. Além deste havia um particularmente selectivo que recolhia elementos já existentes nos ficheiros da P.I.D.E.D.G.S., L.P., P.S.P., processos disciplinares, reitorias e outros recolhidos por colaboradores do C.D.I. Estabelecia-se assim o intercambio informativo entre C.D.I. e P.I.D.E./D.G.S.

No arquivo do C.D.I. trabalhava mesmo o agente da ex-P.I.D.E./D.G.S., Bernardino da Cunha Azevedo, responsável nesta organização pelo sector de escutas telefónicas e intercepção postal.

Ganhou tal força e capacidade interventiva a existência do C.D.I. que, não poucas vezes, interferiu na homologação ou não dos corpos gerentes das associações de estudantes e outros organismos associativos.

memória fotográfica - Dezembro 1975

Nos anos do PREC, o mundo rural principalmente do Norte, foi considerado pelas esquerdas particularmente permeavel à reacção.

Nesta fotografia, o Diário de Lisboa denuncia o cariz político do 2º Plenário Nacional de Agricultores, que decorreu em Rio Maior no dia 14 Dezembro de 1975.



Fonte: Diário de Lisboa, 15.12.1975, p.5

memória fotográfica - setembro 1974

No seguimento da tentativa de manifestação da Maioria silenciosa, organizada para o dia 28 de Setembro de 1974 em apoio ao Presidente da República, Spínola, foram desencadeadas várias acções de repressão contra forças das direitas.

Entre elas, o assalto, por parte de militantes do Pcp e das extrema-esquerdas, das sedes da chamada "reacção".

Nesta fotografia, os civis assaltam, na Rua Luz Soriano, a distribuidora dos jornais Tribuna Popular (órgão do Movimento Federalista Português) e Bandarra (de Miguel Freitas da Costa e Manuel Maria Múrias), queimando os exemplares deste último.


Fonte: Diário de Lisboa, 03.10.1974

Variazione sul tema

Encontrei num alfarrabista a edição em português da obra História do Movimento Fascista, do historiador italiano Gioacchino Volpe (1941).

Reproduzo de seguida um breve trecho do livro (p.195) que me chamou a atenção devido à situação que se vive nestes dias em Portugal e à actuação dos decisores directamente envolvidos nela:

«A crise económica mundial atingia também a Itália em 1930, desmoronaram numerosas sociedades industriais, financeiras e agrícolas. Todos invocavam a intervenção do Estado e o Estado correu em socorro dêste ou daquele, era o desabar do que restava de fé nas capacidades que podia ter a economia liberal de se curar a si mesma. Mussolini perguntava-se a si mesmo se a crise estava no sistêma, e por conseguinte, podia ser vencida com o tratamento ordinário, ou se era do sistema, então seria preciso recorrer a um tratamento mais radical. Mas, já se inclinava a crer que se tratava de uma crise do sistema.»

Memória Fotográfica - Junho 1974

Da mesma fonte dos cartazes das Bnr, uma pintura feita pelos militantes do Movimento Federalista Português (posteriormente Partido do Progresso Mfp/Pp), organização que no pós-25 de Abril reuniu camaradas dos anos 60 como José Valle de Figueiredo e jovens da Cidadela ligados às teorizações de Fernando Pacheco de Amorim.

Estando neste momento a estudar os partidos da direita radical na transição democrática, fico muito grato a todos os que me possam fornecer contactos, informações, materiais de arquivo, entrevistas, não disponíveis na net, sobra este periodo histórico.


Fonte: José Marques, As Paredes em Liberdade, Lisboa: Teorema, 1974

Memória Fotográfica - Maio 1974

No livro Império, Nação, Revolução tratei brevemente da história das Brigadas Nacional-Revolucionárias (p.266), constituídas por estudantes da Cidadela de Coimbra e que entraram em acção logo após o 25 de Abril de 1974, com pinturas nas paredes que nada tinham de saudosista, mas muito do ADN daqueles jovens radicais.


Há pouco tempo encontrei numa feira, com minha grande satisfação, um livrinho de fotografias da revolução que, suponho com um certo desconhecimento por parte do autor, reproduzia duas imagens relacionadas com a actividade das BNR e que muito bem se encaixam nesta nova secção do blog.


Como sempre, quem tenha memórias destas BRN e as queira compartilhar é bem-vindo.





Fonte: José Marques, As Paredes em Liberdade, Lisboa: Teorema, 1974

Memória fotográfica - Dezembro 1974

Durante às entrevistas que realizei aquando da "Operação memória 10 de Junho", alguns antigos militantes nacional-revolucionários contaram-me que, nas primeiras semanas sucessivas ao 25 de Abril e perante a debandada total das forças nacionais, eles - os mais novos - encetaram uma campanha de pinturas murais e colagem de cartazes com símbolos e palavras de ordem não ligadas ao antigo regime, mas representativas das raízes que os inspiravam.

Falaram-me, em particular, de uma série de "Fáscios lictórios" que pintaram nas paredes de Lisboa. No momento não dei muita atenção a esta memória, até que não encontrei, nas páginas do Diário de Lisboa de Dezembro de 1974, a prova desta acção que, pelos vistos, mereceu alguma atenção da imprensa na altura.

Aproveito este documento para inaugurar uma nova secção do blog: "Memória fotográfica" e que reunirá fotografias encontradas nas minhas investigações.



Fonte: Diário de Lisboa, Dezembro 1974

Caetano de Melo Beirão [11.05.1947]

No livro Folhas Ultras (p.187) contei o assalto à Associação Académica de Coimbra, de 9 de maio de 1947, protagonizado por nacionalistas radicais do grupo de Mensagem. Encontrei agora o testemunho directo do ataque, apresentado por Caetano de Melo Beirão (foto de 1963) pouco dias depois do episódio, ao seu mestre Alfredo Pimenta. Reproduzo-o de seguida:

«Deve saber pelos jornais que começou aqui a agitação comunista. Para neutralizar uma acção deles, fizemos, uns 50 rapazes, um assalto à A. Académica. Nesse assalto, enquanto eu agarrava um indivíduo, um outro, comunista filiado, veio por trás e deu-me uma mocada na nuca. Não me matou por acaso, mas machucou-me um pouco. Furioso com a cobardia, abri a cabeça a um, com o guarda-chuva, que ficou partido. Quis fazer o mesmo ao meu agressor, mas só dei-lhe 3 socos pois agarraram-me. Fui depois fazer um curativo ao hospital e tirar uma radiografia. Felizmente não havia nada. Levei 2 "agrafes", que já me tiraram anteontem, e mais nada. Agora estou bom. Já cicatrizou a ferida; já tirei o penso. Temos, porém, andado em grandes actividades, organizando o contra-ataque à ofensiva comunista.»

Movimento de Integração Nacional

Entre as páginas do lívro de Fernando Pacheco de Amorim, "Três Caminhos da Política Ultramarina" (1962) - que comprei recentemente num alfarrabista - encontrei o programa do Movimento de Integração Nacional, que reproduzo aqui em baixo.

O interessante é que este programa e o seu autor inspiraram muito o nacionalismo revolucionário português do final dos anos Sessenta.

A partir da segunda metade dos anos 80 até hoje, pelo contrário, nenhum militante da nova direita radical portuguesa subscreveria esse programa, principalmente no que toca ao ponto 2. As explicações são muitas, mas o que interessa é a cesura profunda que se deu no pensamento do nacionalismo radical português nos últimos 40 anos.






Memórias do meio Monárquico [04-02-2011]

Mais um interessante testemunho sobre o meio monárquico dos anos 50-60, por parte de um antigo militante de Jovem Europa.

Em “Império – Nação – Revolução”, no capítulo As Organizações Menores da Direita Radical nos Anos 60, trata da Real União Portuguesa (RUP) e do Movimento da Juventude Monárquica (MJM). Talvez tenha interesse o que escrevo a seguir.

A Causa Monárquica, como é sabido, foi durante muitos anos uma extensão política da União Nacional, Partido Único, a que sucedeu a Acção Nacional Popular, também Partido Único.

A palavra Causa foi escolhida porque excluía no seu significado os Partidos. Tal como União. Ambas as organizações eram anti-partidárias, integrando o movimento político europeu, e não só europeu, de combate aos Partidos Políticos – ao pluripartidarismo – durante o período de entre Guerras: 1918-1939.

Assim, a Causa Monárquica tendia a incluir todos os Monárquicos e a União Nacional todos os Portugueses. Nem uma nem outra conseguiram o intento. A primeira, embora muitos anos influenciada pelos Integralistas – anti-partidários – teve sempre Liberais, favoráveis à existência de Partidos.

As cisões na Causa Monárquica foram várias, a começar pela de parte dos Fundadores do Integralismo Lusitano, que com ela se incompatibilizaram muitos antes do fim da II República caída em 1974.

Sem pormenorizar o tema das cisões, falarei duma que me parece de grande importância no desmantelamento da União Nacional.

Em 1957, surgiu a ideia de um grupo de Monárquicos fazer parte das listas eleitorais daquele Partido Único, mediante certas condições de independência dos elementos Monárquicos. Iam realizar-se as Eleições Legislativas, que como sempre não seriam eleições livres. Este projecto assemelhava-se ao sucedido nas Eleições de 1969, quando surgiu a Ala Liberal.

Verificaram-se desentendimentos. Os Monárquicos não participaram e surgiu um movimento de oposição ao Regime. Como se sabe, até então os Monárquicos tinham sido apoiantes – na sua esmagadora maioria – do Salazarismo.

O principal dirigente deste movimento foi, sem qualquer espécie de dúvida, Francisco de Sousa Tavares. Embora haja outros que sem legitimidade pretendam que tiveram essa qualidade. Oportunismo e vaidade, como é habitual.

As raízes desta posição de 1957 devem ser procuradas noutros acontecimentos anteriores como o Caso Dadrá e Nagar-Aveli, em 1954. Estes são os nomes de dois enclaves da então Índia Portuguesa que foram ocupados pela força pela União Indiana. A reacção nacionalista do Regime e a de certos Monárquicos foi completamente diferente. Esta realidade abriu conflito grave de natureza ideológica e política entre Regime e Monárquicos. Teve efeitos mediatos importantes no apoio que os Realistas deram às Eleições de 1958 para a Presidência da República, em que Humberto Delgado foi Candidato.

Após os acontecimentos de 1954 e de 1957 começaram a verificar-se movimentos de muito mais Monárquicos no sentido da crítica ao Regime. Mas crítica muito débil, com muitos compromissos.

Tudo isto – e muito mais – determinou uma nova oposição clara à II República nas Eleições legislativas de 1969. Os Monárquicos surgiram com a sua lista própria, na contestação evidente ao Salazar-Caetanismo. Desta lista independente faziam parte várias pessoas: desde os que já contestavam em 1954, aos críticos débeis e comprometidos que acima refiro, como Henrique Barrilaro Ruas.

A RUP e o MJM apesar do seu tom radical foram manifestações efémeras que acabaram por se integrar, formal ou informalmente, na Causa Monárquica ou na secessão verificada nesta. Aqueles grupos actuaram muito naturalmente na década de 60, na qual se verificaram dois acontecimentos importantíssimos de contestação ao Salazar-Caetanismo: 1962, lutas académicas que determinaram a intervenção da polícia de choque na Universidade de Lisboa. O então Reitor, Marcello Caetano, demitiu-se em sinal de protesto. Foi em 24 de Março. 1969, crise académica de Coimbra considerada como decisiva na queda do Regime ditatorial, em Abril-Junho.

O Radicalismo Monárquico durante a II República foi sobretudo levado a efeito pelo grupo denominado vulgarmente de Monárquicos Fascistas, gente da geração universitária dos anos 40. Os seus nomes principais foram Amândio César, António José de Brito, Caetano Beirão filho, Carlos Guerra de Oliveira, Carlos Klut de Andrade, Fernando Guedes e alguns mais. Este grupo era também chamado do “Avis”, nome dum café então existente, localizado na Praça dos Restauradores em Lisboa, junto ao edifício Eden, que frequentavam também elementos dos denominados Serviços Secretos da Legião Portuguesa, de que era principal responsável José Manuel Salgado, e por simpatizantes do clube desportivo Sporting Clube de Portugal. Faziam ainda parte da clientela elementos do Jornal Agora.

Para além das publicações afectas a este grupo, que teve como vulto importante Florentino Goulart Nogueira, foi aquele que, em meu entender, fez política radical principalmente. E não a Imprensa Radical de expressão Monárquica. Tenho ainda bem presente os embates de natureza intelectual, dialécticos, com os Monárquicos não Radicais, que eram a esmagadora maioria, ligados à Causa Monárquica ou não.

É muitas vezes referido António José de Brito como o filósofo dos Fascistas Monárquicos, ou Radicais. Penso que não: Brito era demasiadamente dogmático, dogmatismo que lhe vinha muito mais da Política do que da Filosofia. Aliás, personalidade cheia de contradições, bem demonstradas depois de 25 de Abril de 1974 no diálogo, diálogos, que manteve com o Regime nascido naquela data. [Perguntei à minha testemunha um esclarecimento – que ainda não recebi - acerca dessa afirmação, sendo que pelo meu conhecimento e amizade pessoal com o Professor António José de Brito me atreveria a afirmar exactamente o oposto respeito a quase todo o conteúdo dessa afirmação. N.d.R.]

A referida crise de 1957 determinou mediatamente, em momentos diferentes, a defesa do ambiente criado pelas Eleições Presidenciais de 1958.

Dos nomes envolvidos na RUP e no MJM, os principais, que ficaram para os registos Monárquicos, foram Alexandre Bettencourt, António Borges de Carvalho, Augusto Ferreira do Amaral e Luís Coimbra. Todos eles integraram o Partido Popular Monárquico.

Este grupo de jovens foi antecedido por um outro um pouco mais velho: Alberto Moutinho Abranches, Álvaro Ferreira da Silva (Fraião), Fernando Amaro Monteiro e eu próprio.

Podemos considerar os dois grupos de jovens como o primeiro e o segundo, cronologicamente, que assumiram posições oposicionistas enquanto Monárquicos, no quadro da II República.

Os oito nomes indicados, posteriormente, tomaram posições bem diversas, embora mantendo o seu Monarquismo.

Menção Honrosa do Prémio Fundação Mário Soares [17-12-2010]

Eis os momentos salientes da entrega da Menção de Honra do Prémio Fundação Mário Soares.

Aproveitei a ocasião para sublinhar como, apesar de reivindicar a minha identidade 100% italiana, prefira considerar-me, mais que um investigador extrangeiro a trabalhar no extrangeiro sobre a história de um país extrangeiro, um investigador europeu, a trabalhar na Europa, sobre a história de Europa.

Um bocado retorico, talvez, mas sentido.




Manuel Rolão e Carlos Eduardo de Soveral

No boletim da Liga dos Antigos Graduados da Mocidade Portuguesa, Facho (nº16, Série IV, Dezembro 1960), encontrei um interessante artigo, - que reproduzo de seguida - de Carlos Eduardo de Soveral (Foto).

O dado interessante é que o artigo é dirigido a Manuel Rolão, personagem cuja história está emvolvida por um certo mistério, como relatei no livro Império Nação Revolução (pp.74-75).

Aproveito a publicação deste artigo do Dr. Soveral para pedir informações - a quem eventualmente as tenha - sobre o tal Manuel Rolão, que teve um certo papel na estrutração das organizações de direita-radical no princípio dos anos 60.